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Sociedade Budista Karma Shisil Ling Monastério


Sadhana. Meditação sobre o Buddha

O termo sânscrito sadhana — derivado de sadh, chegar ao objetivo — pode ser traduzido como meio de se realizar. As sadhanas são textos litúrgicos para a prática de meditação, desde a visualização das divindades meditacionais até a dissolução final, em meditação não-conceitual. Para praticar uma sadhana, é essencial que se procure um professor qualificado de quem se possa receber as iniciações e ensinamentos orais.

As sadhanas são geralmente divididas em três etapas. No estágio preliminar (sânsc. purvagama, tib. ngöndro / sngon 'gro), toma-se o refúgio Vajrayana e se desenvolve a bodhichitta, a mente que aspira alcançar a iluminação para trazer benefícios a todos.

A fase principal começa com o estágio de geração (sânsc. utpatti-krama, tib. kyerim / bskyed rim) — no qual divindades meditacionais são visualizadas, mantras são recitados e mandalas são oferecidas — e termina com o estágio de perfeição (sânsc. nishpanna-krana, tib. dzogrim / rdzogs rim) — em que a visualização é desfeita e se medita sobre a vacuidade.

Na fase de conclusão, são recitadas as preces de aspiração e de dedicação dos méritos.

Abaixo, há um exemplo de sadhana sobre o Buddha Shakyamuni, adaptado de How to Meditate (Sangye Khadro, Wisdom Publications). Apesar da autora ensinar alguns tipos de meditação aos iniciantes, ela recomenda a alguém realmente interessado nestas práticas a procurar um lama qualificado, para receber explicações orais e iniciações.

Buddha é uma palavra em sânscrito que significa totalmente desperto. Ela se refere não apenas a Shakyamuni, ou Gautama, o fundador dos ensinamentos que vieram a ser conhecidos como o buddhismo, mas também a qualquer pessoa que atinge a iluminação. Há incontáveis seres iluminados — seres que transformaram completamente suas mentes, eliminaram toda a energia negativa e se tornaram completos, perfeitos. Eles não estão confinados a um corpo físico impermanente, como nós, mas estão livres da morte e do renascimento. Eles podem ficar em um estado de consciência pura, ou aparecer de diversas formas — um pôr-do-sol, uma música, um mendigo, um professor — para comunicar sua sabedoria e amor aos seres comuns. Eles são a própria essência da compaixão e da sabedoria, e sua energia está ao nosso redor, todo o tempo.

Cada ser vivo, pela virtude de ter uma mente, é capaz de se tornar um buddha. A natureza fundamental da mente é pura, clara e livre das nuvens de conceitos e emoções perturbadores que a obscurecem. Enquanto nos identificarmos com os estados confusos da mente, acreditando, "Eu sou uma pessoa raivosa, Eu sou deprimido, Eu tenho muitos problemas", não nos daremos nem mesmo a oportunidade para mudar.

É claro que nossos problemas são muito profundos e complexos, mas não são reais e sólidos como pensamos. Também temos a sabedoria que pode reconhecer nosso pensamento confundido, e a capacidade de dar e de amar. É uma questão de identificação e desenvolvimento gradual destas qualidades, até chegar ao ponto em que elas surjam espontaneamente e sem esforço. Não é fácil tornar-se iluminado, mas é possível.

Nesta meditação, visualizamos a forma do Buddha Shakyamuni e recitamos seu mantra.

Shakyamuni nasceu como um príncipe, Siddhartha, em uma família vastamente rica, há 2.500 anos atrás, no norte da Índia. Ele viveu em seu reino por 29 anos, protegido das realidades mais desagradáveis da existência humana. Porém, ele eventualmente as encontrou, na forma de uma pessoa doente, um velho, uma pessoa senil e um corpo. Estas experiências o afetaram profundamente. Seu próximo encontro significativo foi com um meditador errante, que tinha transcendido as preocupações da vida comum e alcançado um estado de equilíbrio e serenidade.

Percebendo que seu modo de vida conduziria apenas à morte, e não ao valor real e duradouro, o príncipe Siddhartha decidiu deixar seu lar e família, e ir à floresta para meditar. Depois de muitos anos esforço persistente e concentrado, encontrando e superando uma dificuldade atrás da outra, ela atingiu a iluminação — tornou-se um buddha. Tendo assim libertado a si mesmo de todas as delusões e sofrimentos, ele desejou ajudar os outros a alcançar a iluminação; sua compaixão era ilimitada.

Ele tinha então 35 anos. Ele passou os 45 anos restantes de sua vida explicando o caminho para compreender a mente, lidar com os problemas, desenvolver o amor e a compaixão, e assim se tornar iluminado. Seus ensinamentos eram singularmente fluidos, variando de acordo com as necessidades, capacidades e personalidades de seus ouvintes. Ele os conduziu habilmente à compreensão da natureza última da realidade.

A vida de Buddha, em si, foi um ensinamento, um exemplo de caminho para a iluminação; e sua morte, um ensinamentos sobre a impermanência.

Um poderoso método para descobrir nossa natureza búddhica é abrir a nós mesmos ao buddha externo. Com a prática contínua, nossa auto-imagem comum cai gradualmente e, em seu lugar, aprendemos a identificar nossa sabedoria e compaixão inatas: nossa próprio estado de buddha.

A prática

Acalme sua mente, fazendo alguns momentos de meditação sobre a respiração. Então, contemple a prece de refúgio e bodhichitta.

Eu tomo refúgio, até estar iluminado, nos buddhas, no dharma e na sangha. Pelo mérito que criei através da prática da generosidade e das outras perfeições, possa eu atingir o estado de buddha para ajudar a todos os seres sencientes.

Gere amor e compaixão, refletindo brevemente sobre o predicamento de todos os seres: seu desejo de experienciar a verdadeira felicidade, mas a inabilidade de obtê-la; e seu desejo de evitar o sofrimento, mas encontros contínuos com ele. Então pense:

Para ajudar a todos os seres e conduzi-los à paz e felicidade perfeitas da iluminação, devo atingir a iluminação. Por este objetivo, vou praticar esta meditação.

A visualização do Buddha

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Cada aspecto da visualização é feita de luz: transparente, intangível e radiante. No nível de sua testa, a mais ou menos 2 metros a sua frente, está um grande trono dourado, adornado com jóias e sustentado, em cada um de seus quatro cantos, por um par de leões das neves. Estes animais, que na realidade são manifestações de bodhisattvas, têm a pele branca, e a juba e rabo de cor verde.

Sobre a superfície plana do trono, está um assento, constituído de um grande lótus aberto e dois discos radiantes, representando o sol e a lua, um sobre o outro. Estes três objetos simbolizam as três principais realizações do caminho para a iluminação: o lótus representa a renúncia; o sol, a vacuidade; e a lua, a bodhichitta.

Sentado sobre isto, está o Buddha, que atingiu estas realizações e é a corporificação de todos os seres iluminados. Seu corpo é de luz dourada e ele veste os mantos monásticos, cor de açafrão. Seus mantos não tocam realmente o seu corpo, mas estão a uma distância de mais ou menos dois centímetros. Ele está sentado na postura de lótus completo. A palma de sua mão direita está sobre o joelho direito, com os dedos tocando o assento de lua, significando o seu grande controle. Sua mão esquerda está sobre seu colo, em gesto de meditação, segurando um pote cheio de néctar, que é o remédio para curar nossos estados perturbadores e outros obstáculos.

O rosto de Buddha é muito belo. Seu olhar sorridente e compassivo está direcionado para você e, simultaneamente, para todos os outros seres sencientes. Sinta que ele é livre de todos os pensamentos de julgamento e crítica, e que ele aceita a você assim como é. Seus olhos são longos e finos. Seus lábios são vermelho-cereja e os lóbulos de suas orelhas são longos. Seu cabelo vai de azul para preto e cada fio está individualmente enrolado para a direita, sem se misturar com os outros. Cada característica de sua aparência representa um atributo de sua mente onisciente.

Raios de luz emanam de cada poro do corpo puro de Buddha e alcançam cada canto do universo. Estes raios são realmente compostos de incontáveis buddhas em miniatura, alguns indo ajudar os seres sencientes, e outros voltando e se dissolvendo em seu corpo, tendo terminado o seu trabalho.

A purificação

Sinta a presença viva do Buddha e tome refúgio nele, recordando suas qualidades perfeitas e sua disposição e habilidade para ajudá-lo. Faça um pedido, de coração, para receber as bênçãos e se tornar livre de toda a energia negativa, enganos e outros problemas, e para receber todas as realizações do caminho para a iluminação.

Seu pedido é aceito. Um fluxo de luz branca purificadora, cuja natureza é a mente iluminada, flui do coração de Buddha e entra em seu corpo, pela topo de sua cabeça. Assim como a escuridão de uma sala é instantaneamente eliminada no momento em que uma luz é ligada, assim também a escuridão de sua energia negativa é eliminada sob o contato com esta luz branca radiante.

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Enquanto ela flui para você, enchendo o seu corpo completamente, recite a seguinte prece, três vezes:

Ao mestre e fundador,
Bhagavan, Tathagata, Arhat, Samyaksambuddha,
O glorioso conquistador, o domador do clã Shakya,
Eu me prostro, tomo refúgio e faço oferendas:
Por favor, conceda-me suas bênçãos.

Agora, recite o mantra de Buddha, Tayatha Om Muni Muni Maha Munaye Soha. Repita alto ou cante pelo menos menos sete vezes, e então repita-o quietamente para si mesmo, por alguns minutos.

Quando você terminar de recitar, sinta que toda a sua energia negativa, problemas e obscurecimentos sutis foram purificadas. Seu corpo sente felicidade e luz. Concentre-se nisto por um instante.

Recebendo a força inspiradora

Visualize que um fluxo de luz dourada desce do coração de Buddha e flui para o seu corpo através do topo de sua cabeça.

Ele pode transformar seu corpo em diferentes formas, animadas e inanimadas, para ajudar os seres vivos de acordo com suas necessidades individuais e estados mentais particulares.

Com sua fala, ele pode comunicar diferentes aspectos do dharma simultaneamente aos seres de vários níveis de desenvolvimento e ser compreendidos por eles em suas línguas.

Sua mente onisciente vê claramente cada átomo da existência e cada ocorrência — passada, presente e futura — e sabe os pensamentos de todos os seres vivos: tal é sua consciência em cada momento.

Estas boas qualidades infinitas fluem para cada parte de seu corpo. Concentre-se nesta alegre experiência quando repetir novamente o mantra, Tayatha Om Muni Muni Maha Munaye Soha.

Quando você terminar a recitação, sinta que você recebeu as infinitas qualidades excelentes do corpo, fala e mente de Buddha. Seu corpo sente a luz e a alegria. Concentre-se nisto por algum tempo.

Absorção da visualização

Agora, visualize que os oito leões das neves são absorvidos no trono, o trono no lótus, e o lótus no sol e na lua. Estes, por sua vez, são absorvidos no Buddha, que agora vem para o espaço acima da sua cabeça, se funde em luz e se dissolve em seu corpo.

Sua sensação de um Eu — indigno e carregado de falhas — e todos os seus outros conceitos errôneos desaparecem completamente. Nesse instante, você se torna um com a mente alegre e onisciente de Buddha, no aspecto do vasto espaço vazio.

Concentre-se nesta experiência o maior tempo possível, não permitindo que outros pensamentos o distraiam.

Então imagine que deste estado vazio aparece, no lugar onde você está sentado, o trono, o lótus, o sol, a lua e, sobre tudo isto, você aparece como o Buddha. Tudo é da natureza da luz, exatamente como você visualizou, anteriormente, diante de você. Sinta que você é o Buddha. Identifique-se com sua sabedoria e compaixão iluminadas, ao invés da sua habitual visão incorreta de um Eu.

Ao redor de você, em cada direção e preenchendo todo o espaço, estão todos os seres sencientes. Gere amor e compaixão por eles, ao lembrar que eles também querem atingir felicidade, paz mental e liberdade de todos os problemas. Agora que você está iluminado, você pode ajudá-los.

Em seu coração, estão um lótus e uma lua. Voltados para fora, ao redor da circunferência da lua e no sentido horário, estão as sílabas do mantra, Tayatha Om Muni Muni Maha Munaye Soha. A sílaba semente Mum está no centro da lua.

Visualize que raios de luz — que na realidade são a sua sabedoria e compaixão — emanam de cada letra e se difundem em todas as direções. Eles alcançam incontáveis seres sencientes ao seu redor e os purificam completamente de seus obscurecimentos e delusões, preenchendo-os com inspiração e força.

Enquanto imaginar isto, recite novamente o mantra, Tayatha Om Muni Muni Maha Munaye Soha.

Quando você terminar de recitar, pense: "Agora eu levei todos os seres sencientes à iluminação."

Visualize que todos aos seu redor estão agora na forma de Buddha e estão experienciando a alegria completa e a sabedoria da vacuidade.

Não se preocupe, achando que a sua meditação é uma simulação e que você não ajudou nem mesmo uma pessoa a alcançar a iluminação. Esta prática é conhecida como "trazer o resultado futuro no caminho presente". Ela nos ajuda a desenvolver a convicção firme em nossa perfeição inata — nosso potencial búddhico; aquilo o que acabamos de fazer na meditação, vamos definitivamente realizar um dia.

Conclua a sessão dedicando toda a energia positiva e insights que você tenha obtido por fazer esta meditação ao eventual atingimento da iluminação pelo benefício de todos os seres.

(McDonald, Kathleen. How to Meditate: A Practical Guide. Editado por Robina Courtin. Ithaca: Snow Lion, 1998. Pág. 126-133.)


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